Suspeito de assassinar criança no Paraná em 2006 é denunciado pelo MP-PR um mês antes de crime prescrever

Polícia prende suspeito de matar menina quase 20 anos após o crime Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (M...

Suspeito de assassinar criança no Paraná em 2006 é denunciado pelo MP-PR um mês antes de crime prescrever
Suspeito de assassinar criança no Paraná em 2006 é denunciado pelo MP-PR um mês antes de crime prescrever (Foto: Reprodução)

Polícia prende suspeito de matar menina quase 20 anos após o crime Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) um mês antes do crime prescrever. A informação foi confirmada neste sábado (6). Segundo investigação reaberta pela Polícia Civil, ele é o principal suspeito de estuprar e matar Giovanna dos Reis Costa em abril de 2006, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Relembre o caso abaixo. O crime ficou sem solução por quase 20 anos, antes da reabertura do inquérito a partir de uma denúncia realizada por uma ex-enteada do homem. O g1 entrou em contato com a defesa de Martônio, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Ele foi preso em Londrina, no norte do estado, no dia 19 de fevereiro. ✅Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp Conforme o MP, ele foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, com uso de meio cruel (asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP sustenta ainda que o crime foi cometido para assegurar a impunidade após um crime anterior (violência sexual contra a menina). O MP ressalta que a investigação também identificou que ele cometeu atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver. Entretanto, esses dois crimes prescreveram. Isso ocorre devido à diferença de penas máximas para cada crime, conforme Art. 109 do Código Penal. Se um crime tem pena máxima de três anos, como ocultação de cadáver, ele prescreve em oito anos. Se a pena chega a dez, como é o atentado violento ao pudor, prescreve em 16 anos. O homicídio qualificado prescreve em 20 anos, porque a pena máxima pode chegar a 30 anos. Além da condenação, o MP solicitou que Martônio pague R$ 100 mil aos familiares de Giovanna e que eles tenham atendimento multidisciplinar "com os custos pagos pelo agressor ou pelo Estado". Relembre abaixo as investigações sobre a morte da menina Giovanna. O desaparecimento e a morte À época, Martônio chegou a ser considerado suspeito Caso foi reaberto após denúncia feita por outra vítima de abuso sexual Suspeito 'debochava' da polícia, segundo testemunha As novas provas O desaparecimento e a morte Giovanna tinha nove anos quando foi morta. Arquivo/RPC Giovanna desapareceu no dia 10 de abril de 2006, enquanto vendia rifas escolares perto de casa, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Vizinhos se uniram à família para tentar encontrar a menina. Dois dias depois, em 12 de abril, o corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. A vítima também tinha "sinais extremos de violência sexual", segundo a polícia. As roupas de Giovanna foram localizadas em outro terreno desocupado, a cerca de 50 metros de distância da casa onde morava a família da menina. "A criança desapareceu ali nas imediações e o corpo foi localizado ali também. Tudo indica que o crime ocorreu em uma daquelas residências", disse, na época, a delegada que era responsável pelo caso, Margareth Alferes de Oliveira Motta. A perícia constatou que a morte se deu por asfixia mecânica, como esganadura ou sufocamento. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: cães são soltos na rua por clínica veterinária do PR, e prefeitura diz que procedimento segue lei 'Como se estivesse bêbada': Criança de 4 anos ingere álcool em gel em creche do Paraná e caso vai parar na polícia Atualização: Paranaenses deixam Dubai depois de dias presos em transatlântico durante bombardeios no Oriente Médio À época, Martônio chegou a ser considerado suspeito Martônio Alves Batista tem 55 anos e foi preso preventivamente em Londrina. Reprodução Martônio, que era vizinho da vítima, chegou a ser considerado suspeito durante as investigações em 2006. Policiais foram à casa dele no dia em que Giovanna desapareceu. A mulher que, à época, estava casada com Martônio disse aos policiais que ele estava sozinho em casa quando a criança sumiu. Os policiais encontraram um colchão com mancha de urina no imóvel e solicitaram que a mulher aguardasse a chegada da perícia. Entretanto, quando os policiais voltaram, o colchão não foi mais encontrado e a casa havia sido lavada com água sanitária. Na época, a perícia detectou que a calcinha de Giovanna também estava impregnada de urina. No quintal da casa do suspeito, os policiais encontraram um fio de energia que era semelhante ao fio que estava amarrado ao corpo da criança. Apesar desses fatos, Martônio prestou depoimento e foi liberado. Os outros suspeitos foram presos e, anos depois, inocentados pelo crime. Caso foi reaberto após denúncia feita por outra vítima de abuso sexual Em 2019, uma ex-enteada de Martônio procurou a delegacia e relatou que ele cometeu abusos sexuais contra ela. A jovem contou que foi vítima dele dos 11 aos 14 anos, mas afirmou que não contou a ninguém porque ele a ameaçava. A denúncia foi feita depois que homem foi preso brevemente por ter instalado câmeras no banheiro feminino de uma pastelaria da qual era dono. Ao reconhecer Martônio em reportagens da época, a ex-enteada contou à mãe sobre os abusos sofridos na infância e também procurou um advogado. Em 2025, já com a investigação de abuso sexual sendo feita, ela contou que Martônio a ameaçava dizendo que ela seria "a próxima Giovanna". "Nas ameaças, ele sempre cita que já havia feito muito mal para uma menina. Se ela contasse o que vinha acontecendo para alguém, ela também seria uma vítima", explicou a delegada. A mãe da jovem também relatou à delegada que, quando se relacionava com Martônio, chegou a confrontar o homem ao perceber sinais de que a filha poderia ter sido vítima de abusos. "O Martônio, então, acaba dizendo para ela: 'você sabe aquele caso de Quatro Barras que eu disse que era testemunha? Eu não sou testemunha, eu fui o autor'", detalha a delegada Cecconello. Ainda em 2025, a polícia realizou diligências sobre a morte de Giovanna - com o processo arquivado. A Justiça aceitou reabrir o caso em 2026, após a apresentação das evidências que ligam o homem ao crime. Suspeito 'debochava' da polícia, segundo testemunha Momento da prisão de Martonio, em Londrina. PC-PR Na reabertura do caso, em 2026, uma testemunha ouvida pela polícia informou que, anos depois da morte de Giovanna, o homem "debochava" do caso e utilizava o fato para aterrorizá-la, em um contexto de violência doméstica. "Referiu-se aos policiais como 'idiotas e tapados', afirmando que 'estava tudo na frente deles'. Disse que o pedaço de fio utilizado para amarrar o corpo da vítima foi cortado de um rolo que ele possuía em casa; durante a diligência policial, ele segurou o rolo de fio (cuja extremidade/numeração se encaixava perfeitamente no pedaço usado no crime) enquanto o policial o examinava, sem nada perceber", afirma um dos documentos que compõe o inquérito policial. Segundo o relato da testemunha para a polícia, o homem afirmava que "ninguém o pegou naquela época e ninguém nunca iria pegar" e a ameaçava: "Eu posso sumir com todos vocês e ninguém nunca vai achar vocês, eu nunca vou ser preso". As novas provas Com a reabertura do caso, a polícia ouviu ex-companheiras de Martônio. Algumas contaram que a mulher que era casada com ele em 2006, ano da morte de Giovanna, procurou algumas delas para fazer um alerta. Nessas conversas, ela disse que foi obrigada a limpar a casa para eliminar possíveis provas do crime. Uma das mulheres revelou à delegada que Martônio confessou como teria agido no assassinato de Giovanna, o que condiz com as provas apuradas pela perícia. "Ele relata [à ex-companheira] que, na data dos fatos, a Giovanna estava vendendo rifas, e ele falou para ela que não tinha dinheiro ali fora, só tinha dentro de casa. E falou para ela entrar na casa dele, que iria pegar o dinheiro. Ele relata para essa ex-companheira que, assim que ela [Giovanna] entrou, ele passou a sufocar e desmaiar ela e aí cometeu a violência sexual. Ele diz também que, após esse fato, ele percebeu o que tinha feito, que a menina iria reconhecê-lo. Então ele deu um jeito de ocultar o corpo, jogando o corpo numa outra área, e colocando as roupas dela em outra região para incriminar terceiros", detalha a delegada Cecconello. Infográfico - Caso de assassinato de criança é reaberto após 20 anos, no Paraná Arte/g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.